No meio de tanta coisa, às vezes acabamos por nos esquecer do mais importante e genuino. Ei.lo, então. A boa disposição, o sentido de humor, a boa música, as cantanhas assadas e o cálice de Porto.
Ah, e claro o sr. Depp.
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Frankly, my dear, I don’t give a damn.


Estamos a meio da semana e têm estado uns dias frios. Aquele frio seco. Aquele frio que limpa a cara e os olhos ensonados na marcha silenciosa para a paragem. Um novo dia começa assim que vejo os números garrafais a laranja. 729. Lá estão eles a subir a calçada em minha direcção. Deixemos os lugares sentados para os velhotes e para os estudantes. Logo me sento. Até lá penso no dia que me espera e na música que vou dedilhando no mp3. Passada a floresta intensa e calma de Monsanto o contacto com a civilização é imediatamente restabelecido na próxima paragem no meio de um passeio de cimento cinzento. O destino aproxima.se. Fecho o casaco. Distribuo.o os últimos olhares pelas caras anónimas espalhadas pelas cadeiras de plástico. Os meus companheiros diários de viagem matutina. Só falta tocar no botão, se ainda ninguém o fez, e levantar.me fintando os solavancos da grande máquina amarela. Agora é só sair. Daí são mais uns passinhos até à entrada acidentada da faculdade. Lá vou eu. Em silêncio ou a murmurar melodias. De blusão fechado até acima e mãos nos bolsos. Mochila às costas. Cabelo solto, a esvoaçar. E aquele frio seco. Aquele frio maravilhoso. Aquele frio revitalizante. É um momento, só. E Chopin lá toca aos meus ouvidos...
